Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

18 - Livrinho verde e amarelo















A biblioteca tinha tantos livros que dava a impressão das paredes serem feitas deles. Dona Felícia acomodou Caco e Alberico em confortáveis cadeiras, escolheu alguns exemplares e pôs diante dos curiosos visitantes.

— O lixo é um assunto ligado à ecologia - ela começou dizendo.

— Pelo menos estamos livres da matemática - resmungou Caco.
Alberico beliscou outra vez o braço do primo. A secretária gostava tanto do assunto que não percebeu nada.

— Dividindo a palavra ecologia em duas, temos de um lado eco, ou oikos do grego, que quer dizer morada, e de outro logia, ou logos também do grego, que quer dizer estudo. Ecologia é o estudo da morada. Quando se fala em meio ambiente não se trata apenas de florestas, rios, animais e plantas que habitam nele, e sim de qualquer espaço onde um ser vivo nasce e se desenvolve.

Caco lembrou do espaço de seu quarto, invadido pelo primo e sua mochila - o seu meio ambiente também precisava ser preservado.

Alberico seguia ouvindo e anotando tudo. Dona Felícia continuou.

— Se existem seres vivos se relacionando com a natureza, há a necessidade de buscar equilíbrio entre eles. Somente os seres humanos atuam conscientemente sobre o meio ambiente.

— Os homens são os que destroem a natureza, não é?

Alberico lembrou uma das primeiras anotações que fizera ao chegar. Viu os calçamentos de concreto e pedras não deixarem espaço para nada crescer. Não havia terra para se plantar na cidade.

— Os homens são os que têm mais necessidades — dona Felícia seguiu dizendo —, por isso interferem mais neste equilíbrio. As cidades cresceram e, com o desenvolvimento da tecnologia, mais e mais pessoas podem comprar coisas de que necessitam, coisas que vêm em embalagens para serem protegidas e transportadas em segurança.

— Aí vem o problema do lixo, não é? — a especialidade de Caco era ver problemas em tudo.

— Exatamente. Muita gente acha que se livrando do próprio lixo está tudo resolvido. Tem gente que joga o lixo em terrenos baldios, ao natural, atraindo bichos e doenças.

— Lá em casa botamos o lixo em sacos plásticos — era Caco quem tirava o lixo, achava aquela tarefa tão chata, agora sabia a razão.

— Isso não basta - dona Felícia sabia bem o que dizia. — Pense no volume de lixo de uma cidade inteira, onde arranjar espaço para acomodá-lo?

— Muita gente acha que os lixeiros são mágicos, fazem a sujeira desaparecer

— Alberico pôs um ponto no final de uma anotação.

Dona Felícia abriu um livrinho verde e amarelo.

— A constituição brasileira, que é o conjunto das leis da nação, assegura o direito a todo o cidadão de ter um ambiente sadio, assim como o dever de preservá-lo. O lixo das grandes cidades é um grande problema também.
Caco, um perito em problemas, fez cara de entendido e perguntou:

— Mas, o que é o lixo, afinal? Tem coisas que podem ser reaproveitadas nele, não é?

Dona Felícia estava radiante, aquele era realmente o assunto de que mais gostava.

— Lixo é todo e qualquer resíduo sólido, que resulta das atividades domiciliares, ou seja, das casas, também das atividades comerciais, dos hospitais, das indústrias, das varrições das ruas e também o especial, que são resíduos da construção dos prédios ou produtos tóxicos. De todo o lixo, mais da metade é resto de comida, o que chamamos de material orgânico, a outra parte é material inorgânico, embalagens de metal, papel, vidro e plástico.

Caco entendia um pouco de lixo por experiência própria e aquela era uma boa chance de se exibir para o primo sabichão.

— São estes tais resíduos inorgânicos que podem ser reaproveitados, não é mesmo?

— Melhor dizer reciclados, Caco.

Alberico também tinha algo a dizer sobre aquele assunto de lixo.

— Onde eu moro a gente faz adubo com os restos de comida.

— A isso chamamos de compostagem, Alberico. Enterramos o lixo orgânico e cobrimos com terra mais ou menos trinta centímetros. O material vai se decompondo e liberando gases, que são manejados para que não contaminem o solo e a água que existe debaixo da terra.

— A questão é separar tudo, não é? - Caco via dificuldades de longe.

— Exatamente. Se as pessoas separassem cada elemento do lixo, o aproveitamento seria muito maior. Ao invés disso, misturam tudo e jogam nos sacos para o lixeiro levar. Assim, não há outra maneira a não ser atirar tudo nos lixões, que são lugares onde o lixo fica a céu aberto, atraindo todo o tipo de bicho: ratos, moscas, baratas e, com eles, as doenças. O pior disso tudo, é que tem gente vivendo de catar coisas nestes lugares, são pessoas pobres que arranjam uns trocados separando papel, vidro, plástico ou metal.

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