11 - Podem dizer que falaram comigo
Alberico parou de anotar por um momento.
— Dona Felícia, a gente pode visitar um destes lixões pra ver como é?
Foi a vez de Caco beliscar o braço do primo.
— Está maluco? — cochichou no ouvido de Alberico. — Se meter na sujeira?
Desta vez dona Felícia ouviu.
— Dona Felícia, a gente pode visitar um destes lixões pra ver como é?
Foi a vez de Caco beliscar o braço do primo.
— Está maluco? — cochichou no ouvido de Alberico. — Se meter na sujeira?
Desta vez dona Felícia ouviu.
— Se é uma pesquisa, devem ver tudo sim. Tenho uma lista de lugares que vocês podem visitar: os lixões, as usinas de compostagem, as indústrias de reciclagem de papel, metal, plástico e vidro. Lá poderão obter mais informações e ver como é o processo de reciclagem, desde a origem até o resultado final. Esperem aqui um instante, já volto.
Quando dona Felícia saiu, Caco já estava pendurado no pescoço de Alberico.
— O que está fazendo? Ela vai trazer a lista da cidade inteira pra nós. Isso não vai mais acabar?
— Já disse, primo, se não quiser me acompanhar, vou sozinho.
Caco largou o pescoço de Alberico um pouco antes de dona Felícia voltar.
— Está aqui, endereços e telefones dos lugares que lidam com o lixo e a reciclagem. Se quiserem, posso conseguir que acompanhem o caminhão da coleta seletiva. Será um passeio e tanto.
Alberico pegou a lista e a guardou dentro do caderno de anotações. No rosto de Caco dava para se perceber seu arrependimento.
— Obrigado dona Felícia, a senhora nos ajudou muito. — Alberico disse, abrindo seu sorriso simpático, cheio de dentes.
Dona Felícia ficou satisfeita.
— Podem dizer que falaram comigo. O pessoal é muito legal, vocês vão gostar.
Caco saiu sem dizer mais nada, pois tudo se voltava contra ele. Nestes casos, é melhor ficar calado mesmo.
Apanharam o ônibus e foram para casa. Lá, dona Cândida os esperava com as panelas cheias de comida.
— Como não vieram para o almoço, achei que estariam com fome.
Alberico foi o primeiro a lavar as mãos e o rosto.
— Estou morrendo, tia Cândida.
— E você, Caco, está tão quieto. Não tem nada pra dizer?
Caco viu Alberico servir uma montanha de comida em seu prato.
— Acho que não vai sobrar nada pra pôr no lixo.

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