Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

14 - Se é uma pesquisa, devem ver tudo sim














Dona Felícia abriu um livrinho verde e amarelo.

— A constituição brasileira, que é o conjunto das leis da nação, assegura o direito a todo o cidadão de ter um ambiente sadio, assim como o dever de preservá-lo. O lixo das grandes cidades é um grande problema também.

Caco, um perito em problemas, fez cara de entendido e perguntou:

— Mas, o que é o lixo, afinal? Tem coisas que podem ser reaproveitadas nele, não é?

Dona Felícia estava radiante, aquele era realmente o assunto de que mais gostava.

— Lixo é todo e qualquer resíduo sólido, que resulta das atividades domiciliares, ou seja, das casas, também das atividades comerciais, dos hospitais, das indústrias, das varrições das ruas e também o especial, que são resíduos da construção dos prédios ou produtos tóxicos. De todo o lixo, mais da metade é resto de comida, o que chamamos de material orgânico, a outra parte é material inorgânico, embalagens de metal, papel, vidro e plástico.

Caco entendia um pouco de lixo por experiência própria e aquela era uma boa chance de se exibir para o primo sabichão.

— São estes tais resíduos inorgânicos que podem ser reaproveitados, não é mesmo?

— Melhor dizer reciclados, Caco.

Alberico também tinha algo a dizer sobre aquele assunto de lixo.

— Onde eu moro a gente faz adubo com os restos de comida.

— A isso chamamos de compostagem, Alberico. Enterramos o lixo orgânico e cobrimos com terra mais ou menos trinta centímetros. O material vai se decompondo e liberando gases, que são manejados para que não contaminem o solo e a água que existe debaixo da terra.

— A questão é separar tudo, não é? - Caco via dificuldades de longe.

— Exatamente. Se as pessoas separassem cada elemento do lixo, o aproveitamento seria muito maior. Ao invés disso, misturam tudo e jogam nos sacos para o lixeiro levar. Assim, não há outra maneira a não ser atirar tudo nos lixões, que são lugares onde o lixo fica a céu aberto, atraindo todo o tipo de bicho: ratos, moscas, baratas e, com eles, as doenças. O pior disso tudo, é que tem gente vivendo de catar coisas nestes lugares, são pessoas pobres que arranjam uns trocados separando papel, vidro, plástico ou metal.

Alberico parou de anotar por um momento.

— Dona Felícia, a gente pode visitar um destes lixões pra ver como é?

Foi a vez de Caco beliscar o braço do primo.

— Está maluco? — cochichou no ouvido de Alberico. — Se meter na sujeira?

Desta vez dona Felícia ouviu.

— Se é uma pesquisa, devem ver tudo sim. Tenho uma lista de lugares que vocês podem visitar: os lixões, as usinas de compostagem, as indústrias de reciclagem de papel, metal, plástico e vidro. Lá poderão obter mais informações e ver como é o processo de reciclagem, desde a origem até o resultado final. Esperem aqui um instante, já volto.


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