Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

13 - Muita gente acha











A biblioteca tinha tantos livros que dava a impressão das paredes serem feitas deles. Dona Felícia acomodou Caco e Alberico em confortáveis cadeiras, escolheu alguns exemplares e pôs diante dos curiosos visitantes.

— O lixo é um assunto ligado à ecologia - ela começou dizendo.

— Pelo menos estamos livres da matemática - resmungou Caco.

Alberico beliscou outra vez o braço do primo. A secretária gostava tanto do assunto que não percebeu nada.

— Dividindo a palavra ecologia em duas, temos de um lado eco, ou oikos do grego, que quer dizer morada, e de outro logia, ou logos também do grego, que quer dizer estudo. Ecologia é o estudo da morada. Quando se fala em meio ambiente não se trata apenas de florestas, rios, animais e plantas que habitam nele, e sim de qualquer espaço onde um ser vivo nasce e se desenvolve.

Caco lembrou do espaço de seu quarto, invadido pelo primo e sua mochila - o seu meio ambiente também precisava ser preservado.

Alberico seguia ouvindo e anotando tudo. Dona Felícia continuou.

—Se existem seres vivos se relacionando com a natureza, há a necessidade de buscar equilíbrio entre eles. Somente os seres humanos atuam conscientemente sobre o meio ambiente.

— Os homens são os que destroem a natureza, não é?

Alberico lembrou uma das primeiras anotações que fizera ao chegar. Viu os calçamentos de concreto e pedras não deixarem espaço para nada crescer. Não havia terra para se plantar na cidade.

— Os homens são os que têm mais necessidades — dona Felícia seguiu dizendo —, por isso interferem mais neste equilíbrio. As cidades cresceram e, com o desenvolvimento da tecnologia, mais e mais pessoas podem comprar coisas de que necessitam, coisas que vêm em embalagens para serem protegidas e transportadas em segurança.

— Aí vem o problema do lixo, não é? — a especialidade de Caco era ver problemas em tudo.

— Exatamente. Muita gente acha que se livrando do próprio lixo está tudo resolvido. Tem gente que joga o lixo em terrenos baldios, ao natural, atraindo bichos e doenças.

— Lá em casa botamos o lixo em sacos plásticos — era Caco quem tirava o lixo, achava aquela tarefa tão chata, agora sabia a razão.

— Isso não basta — dona Felícia sabia bem o que dizia. — Pense no volume de lixo de uma cidade inteira, onde arranjar espaço para acomodá-lo?

— Muita gente acha que os lixeiros são mágicos, fazem a sujeira desaparecer — Alberico pôs um ponto no final de uma anotação.

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