Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

09 - Vamos descobrir juntos?








O lixo da bandeja de Alberico mal conseguiu entrar na abertura da lixeira. Ele comia um pouco mais do que o normal, e a montanha de embalagens descartáveis teve de ser socada para dentro com a ajuda de um dos rapazes que trabalhavam na lanchonete.

Alberico não se sentiu nem um pouco envergonhado diante das pessoas que aguardavam para pôr seu lixo fora. Justamente isso o fez abrir o caderno e anotar outra coisa importante.

— O lixo, primo, já imaginou a quantidade de sujeira produzida por toda esta gente? Sabe porque o meu lixo não entrou no saco?

— Ora, que importância tem isso?

Alberico colocou seu pesado braço sobre os ombros de Caco e assim foram para a saída.

— Um dia poderá abrir a porta da sua casa e um montão de lixo entrar. Já imaginou as ruas tomadas de lixo sem que nem os carros possam andar?

— Falta muito pra isso, pode ter certeza.

Caco e Alberico agora caminhavam pela calçada, onde sacos enormes de lixo dos edifícios aguardavam a chegada do caminhão da prefeitura.

— Isso não precisa acontecer.

— Garanto que você tem uma solução, Alberico.

— Pense comigo. Quantas coisas a gente põe fora e ocupa espaço dentro do saco de lixo? Lá na lanchonete, amassamos as embalagens pra que ocupassem menos espaço.

No sinal de pedestres o homenzinho verde parecia andar. Caco e Alberico fizeram o mesmo sobre a faixa de segurança.

— O que tem isso de mais?

— Se as pessoas amassassem bem as coisas antes de pôr fora, caberia mais sujeira em menos espaço. Sabe pra onde vai todo este lixo?

— Não faço a menor idéia.

— É por isso que eu anoto tudo. Vamos descobrir juntos?

Caco apertou o passo. Alberico quase não conseguiu acompanhar.

— Lá na prefeitura! Podemos perguntar lá, não fica longe daqui.

Os primos tinham agora um mistério para desvendar nos balcões de atendimento da repartição pública. O funcionário baixinho teve que se esticar todo para ver quem solicitava atenção diante do guichê.

— Posso saber quem são vocês?

— Sou Alberico e este é meu primo Caco.

Caco tomou a frente.

— Não, senhor, sou Caco e este é meu primo Alberico.

— Bem, não vejo muita diferença nisso. Aqui não é lugar para crianças. Digam o que querem e dêem o fora.

Caco não gostou nada daqueles modos e já ia reclamar quando Alberico retomou a frente no assunto.

— Senhor, por favor, precisamos saber o que fazem com o lixo.

— E pra quê, posso saber? — retrucou o funcionário com má vontade.

— Para que minha cidade saiba também o que fazer com o lixo dela, senhor.

— Ah, você não é daqui!

— Eu sou! — Caco deixou bem claro. — Quero saber o que está acontecendo com o lixo.

— Está bem! — O funcionário arrastou os pés até a porta de vidro, eles entraram. — Por aquele corredor, ali, vocês chegam ao gabinete do secretário da limpeza urbana. Falem com dona Felícia, ela dará todas as informações que precisarem.

Os dois meninos já estavam a caminho quando o funcionário os chamou:

— Hei, onde pensam que vão sem isso? — disse, mostrando os crachás.

Em segundos e devidamente identificados Alberico e Caco estavam sentados nas poltronas da sala de espera do secretário do departamento de limpeza urbana.

— Devíamos falar com o prefeito, que importância tem um secretário? — Caco cochichou para Alberico que estava fascinado com o luxo do lugar.

— Um escritório destes não é pra qualquer um.

Logo dona Felícia apareceu.

— Boa tarde, posso ajudá-los em alguma coisa?

Alberico empertigou-se todo na poltrona.

— Nos disseram que o secretário poderia nos dar algumas informações.

— Sobre o quê, posso saber?

—Isso é uma chatice, posso isso, posso aquilo — Caco disse ao ouvido de Alberico.

— É sobre o lixo, senhora, queremos saber o que fazem com o lixo. É uma pesquisa que estou fazendo para a escola, lá na minha cidade.

— Se quiserem, tenho tudo o que vocês precisam na biblioteca.

Caco não estava satisfeito.

— Mas e o tal secretário?

— Devem compreender, cuidar de uma cidade do tamanho da nossa dá muito trabalho. Ele está ocupado agora.

Alberico beliscou o braço de Caco, enquanto seguiam a funcionária até a sala dela.

— Nós compreendemos sim senhora, não é, primo?

— Me chame de Caco.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Início